quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Eu não vou pedir desculpas... Mas busco um personal apologizer para aliviar minha pena




Afinal, a gente é o que a vida fez da gente?

Em alguma parte isso é um fato. Somos produto do meio ambiente + o quê? Porque afinal de contas há pessoas que saíram de um mesmo ambiente, tiveram experiências parecidas, mas têm motivações completamente distintas. Então o que pesa mais? As experiências ou algo particular, nato, interno?

Também não posso deixar de sentir o peso do ambiente e das experiências em meu comportamento. Abrindo meu livro, posso sentir na responsabilidade e reserva que trago como características, a influência de alguns fatos passados.

Já relatei diversas vezes que sou uma pessoa que incomoda. Não digo isso pra soar "Falam de mim porquê têm inveja de mim, mimimi, sou foda", essas bobagens, mas sim porque é difícil provar que você tá certa quando tem um histórico de embates, mas não fez absolutamente nada pra que isso se desenvolvesse. Ocorre num simples movimento, quando me torno destaque de alguma situação - seja promoção no emprego, algum convite de alguém de destaque, alguém apaixonado por mim, etc.

Tem um episódio, digamos assim, engraçado, quando eu estava no colégio e fui ameaçada de morte pois eu andava com um grupo e pessoas que riam muito (Oi?). Eles ligaram pra minha mãe e disseram que eu me vestia toda bonitinha e ficava o dia inteiro rindo alto e que eu devia sair do colégio se quisesse preservar minha integridade física (não com essas palavras, claro). Ou seja: pena de morte pra esse povo que ri por aí, né? Fiquei apavorada! Fiz um retrato imaginado de um cara que vivia atrás de mim e me arrependi de um dia ter ligado pra casa de uma menina mala da escola e dizer que ia arrasar com ela (no dia seguinte tava toda a família da menina na porta do colégio).

Daí, um ano depois fui expulsa do colégio porque uma professora se incomodava comigo, se incomodava com minha ausência inclusive, já que eu faltava bastante. Quase sempre.

A única vez em que fui dispensada de um emprego me deixaram muito claro que eu não só era muito competente mas me destacava profissionalmente entre os demais, mas não podia mais ficar ali pois eu incomodava uma gerente. Essa gerente inclusive é uma pessoa que parecia ter uma vontade de fazer parte da minha vida, ser minha amiga, se identificar comigo: "Nossa, você também desenha? Que coincidência, eu também! Dançava? Eu também!!!". Mas ao passo que não me tornei sua BFF por manter minhas convicções profissionais (leia-se não ter medo de desagradar subordinados ao tomar decisões) ela se tornou uma inimiga.

Eu tenho diversas histórias para contar sobre isso. Assim, diversas! Algumas mais engraçadas outras nem tanto. Na faculdade, nos relacionamentos, em casa, etc.

E aí fui notando que se eu não tomar cuidado posso desafiar alguém ou colocá-lo em prova sem que eu tenha qualquer noção a respeito.  O oposto disso é que pessoas fortes e bem resolvidas naturalmente se tornam aliadas, parceiras e rola uma admiração mútua. Não sei se gosto muito da companhia desses sentimentos antagônicos sobre mim.

Mas tenho tenho percebido que isso vai diminuindo ao passo que paro de me revoltar com a situação.Eu me revoltava muito com a injustiça que isso carrega. A insegurança de uma pessoa qualquer acabava se tornando um problema meu. Que caralho!

É como se eu personificasse uma religião, um pai, ou alguém que devesse acolher fracos e oprimidos para não ser apedrejada por eles. O oposto disso é que pessoas fortes e bem resolvidas naturalmente se tornam aliadas, parceiras e rola uma admiração mútua.

Acho que pode ter a ver com meu posicionamento. Se você decide se respeitar e exigir respeito, em algum momento você se torna notável. Quando você se torna notável, por outro lado, fica muito mais vulnerável, afinal todos têm um ponto fraco. Eu tenho vários! Aí os miseráveis começam a explorar isso. E a voz do povo, por vezes é a voz de Deus (só que não: vide políticos).
Eu me respeito muito e exijo muito respeito porque pouquíssimas pessoas sabem a minha história e quanto cada pequeno passo adiante me custou.

Mas voltando ao ponto inicial, isso tudo obviamente contribuiu para que eu fosse (sou ainda) uma pessoa muito desconfiada e que não gosta de atenção. Eu não brigo por destaque em situação alguma porque sei que se eu quiser atrair atenção pra mim eu não somente consigo como ela vem bruta e desenfreada. Eu tenho medo.

Eu me abro quando consigo confiar nas pessoas, eu saio com alguém apenas quando esse alguém apresenta traços de caráter confiáveis pois senão me sinto num filme de trapaças. Eu tenho trejeitos repelentes, feito gatos que desviam de toques, porque sou um bicho desconfiado.

Mas quando eu confio, a cumplicidade que surge é a melhor das curas.

Um comentário:

Anônimo disse...

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