domingo, 11 de dezembro de 2011

Quem expõe a figura é jogada ao vento em novela de Gloria Perez

Um bom virginiano gosta de segurança. É fato. Obviamente há diversas situações que nos impulsionam a nos arriscar - pessoas em geral, não apenas os nativos de Virgem, claro. Eu, de tempos em tempos, me coloco ao risco de provas por prazer, mas como boa virginiana (pessoa discreta e tal), depois de viver numa montanha russa por um bom período da ~juventude~ - adotei a segurança como boa aliada.

Algumas poucas pessoas se identificam com meu jeito de ser: somos feito gatos, gostamos de conforto, de aconchego, de cantos quentes e almofadados. Não tendemos a idolatrar ou paparicar pessoas; gente ilustre e anônimos tão no mesmo patamar (tipo, o Obama e o peixeiro da feira são tratados com a mesma cerimônia). Preferimos ficar bêbados em casa do que na sarjeta e quando colocamos o pé pra fora é porque quisemos, sentimos a necessidade e geralmente não por motivações externas.

Nem parece, mas são características profundamente irritantes pra gente exibida ou carente. Eles entendem tudo isso como um petulante ar de superioridade. O que não é! O nosso senso de distinção é bem realista. Gente é gente, com defeitos que sabemos identificar numa olhadela de canto e qualidades que admiramos, muitas vezes, à distância.

Sendo fêmea, também encontrei questionamentos. Já perdi a conta de quantas vezes me perguntaram o porquê da minha discrição fashionista. Cadê as saias curtas? O decote? O apelo?

Muitas vezes me disseram, sem que eu tivesse perguntado, é claro, que eu não apenas evitava, mas aparentava um desconforto explícito quando me tornava foco em algum momento, e que essa postura acabava refletindo num bloqueio para a aproximação tanto de tímidos como de impetuosos.

As coisas são como são. E no meu caso, o apelo não está e provavelmente nunca estará exposto. Mas existe, aparece na hora certa e é bem utilizado.

Eu me sinto desconfortável quando me torno o centro das atenções e, por acaso, sinto que chamo a atenção sem muito esforço. Em qualquer lugar que eu já tenha habitado, fui alvo de fofocas, de intrigas, de elogios, de curiosidade, de comentários masculinos, de apostas, de ‘colegas’ que monitoravam qualquer novidade sobre minha pessoa, Enfim... Boa e má atenção, nada anormal.  Mas confesso que essa repercussão me intrigava de uma maneira profunda, e por muitas vezes incomodava. Sempre achei desproporcional eu receber uma atenção que não estava solicitando.

A galera aqui (BR) é expansiva por natureza, gosta de receber atenção e mimos diversos. Precisa de elogios e de ofertas. Essa é a maioria da parcela. E quando vamos pro lado do sexo, pegação,aproximação, rola também essa receptividade.

Conversando com uma gringa que veio visitar o Brasil, ela disse algo que acho verdadeiro: aqui, para os homens, o que importa é a imagem que você passa - o que ela transmite. Se você não mostrar o corpo, se você não se ofertar de alguma maneira, parece que você está fechada para o negócio. Não é a beleza que desperta interesse, nem charme, mas sim o que ela chamou de ‘sexiness’ que você carrega. Acredito que faz algum sentido. Aqui é um lugar de Marilyns não Audreys.

Mas apesar dos questionamentos, eu não tenho problemas com esse choque de características. Já tive. Não tenho mais. Acho engraçado a luta de algumas pessoas para receber atenção, acho gente expansiva divertidíssima e admiro gente discreta. Ponto.

Um comentário:

Juliana disse...

ÓTIMO TEXTO! QUE ORGULHO DA MINHA AMIGA VIU! RS
BEIJOS